Teses Defendidas
Sobrevidas do colonialismo: Uma leitura do contemporâneo a partir de Djaimilia Pereira de Almeida e Tatiana Pequeno
22 de Julho de 2026
Pós-Colonialismos e Cidadania Global
António Sousa Ribeiro
e
Miguel Cardina
A presente tese tem como objetos centrais as obras da escritora portuguesa Djaimilia Pereira de Almeida e da poeta brasileira Tatiana Pequeno. Partindo do princípio de que a literatura pode ser vista como um arquivo de imagens - imagens que são elas mesmas afirmações de certas visões de mundo (Didi-Huberman) -, analiso os romances e poemas das duas autoras em busca de pistas sobre as formas como o colonialismo se rearticula, sobrevive, no contemporâneo. O contemporâneo se tece de múltiplos passados e visões de futuro e tem reproduzido reconfigurações de poder que "rearticulam raça, gênero e classe e outros marcadores de discriminação" forjados pela colonização (Lage, 2023, p. 26). Neste sentido, poderíamos dizer que o fato originário do contemporâneo ainda é a colonização. E, para perceber o contemporâneo desta forma e ser capaz de observar a literatura enquanto objeto histórico, é preciso interrogar a questão do tempo e perceber de que modo uma certa concepção temporal forjada pela modernidade ainda hoje influencia visões e imaginações de mundo. Para tal, o trabalho se divide em duas partes. Em um primeiro momento, a tese se dedica a um movimento crítico de análise da relação Brasil-Portugal a partir de discursos públicos e oficiais e esboça uma aproximação teórica entre o pensamento de Walter Benjamin e uma certa perspectiva pós-colonial. O objetivo é repensar a questão da memória e da temporalidade. Já na segunda parte, o movimento é propositivo. A partir das obras de Almeida e Pequeno, o trabalho propõe novas formas de ler o contemporâneo e as imbricações entre histórias íntimas e pessoais e processos históricos coletivos. Trata-se do encontro da história com agá maiúsculo com as pequenas histórias que esta oculta. Em quatro capítulos, observo como o tempo é representado na obra das duas escritoras, ora como melancolia, ora com um sentido de redenção, por um lado; em por outro, como ambas refletem sobre o espaço, dando destaque a corpos adoentados ou violados e às cidades que seus personagens e eus do poema habitam. Por fim, reflito como a concepção de assombro une as duas autoras e o pensamento de Benjamin, sendo elemento central para a ética da memória que a obra de cada um parece sublinhar.
Palavras-chave: Djaimilia Pereira de Almeida; Tatiana Pequeno; memória; colonialismo luso-brasileiro; Walter Benjamin.
Data de Defesa
Programa de Doutoramento
Orientação
Resumo
Palavras-chave: Djaimilia Pereira de Almeida; Tatiana Pequeno; memória; colonialismo luso-brasileiro; Walter Benjamin.

